quarta-feira, 20 de maio de 2026

Metamorfose Voleibol Master transforma rotina de mulheres por meio do esporte




Projeto independente surgiu da retomada das atividades esportivas e passou a integrar saúde, convivência e participação social


Com bolas em quadra, encontros semanais e agendas divididas entre trabalho, família e responsabilidades domésticas, um grupo de mulheres encontrou no voleibol um espaço para cuidar da saúde física, fortalecer vínculos sociais e reorganizar a própria rotina. Criado em 2022 na cidade de São Paulo, o Metamorfose Voleibol Master (https://www.instagram.com/metamorfosevoleibolmaster/) passou a reunir atletas entre 40 e 62 anos em uma proposta que vai além da prática esportiva e levanta uma discussão cada vez mais presente no Brasil: o papel das modalidades coletivas na promoção da qualidade de vida e da saúde mental.


O grupo surgiu no período pós-pandemia, quando atividades ligadas ao bem-estar passaram a ganhar maior atenção entre pessoas que buscavam retomar hábitos interrompidos durante o isolamento social. Foi nesse contexto que mulheres passaram a frequentar aulas de voleibol feminino master em um balneário administrado pela prefeitura local. O espaço permitiu o reencontro com o esporte para participantes que haviam jogado ainda na adolescência e decidiram voltar às quadras mesmo diante das exigências da rotina adulta.

Da convivência nos treinos nasceu a ideia de formar uma equipe independente para disputar competições. Assim foi criado o Metamorfose Voleibol Master, que começou com cerca de dez participantes e atualmente mantém média de 14 atletas. Os treinamentos acontecem três vezes por semana, em quadras da EMEF Dr. Antônio Carlos de Abreu Sodré e do Centro Esportivo Joerge Bruder, ambos na cidade de São Paulo.


A iniciativa funciona por meio de mensalidades pagas pelas próprias integrantes, destinadas a custos com técnico, campeonatos, uniformes e materiais esportivos. Mesmo com a necessidade de conciliar despesas e disponibilidade de horários, o grupo conseguiu manter a continuidade das atividades nos últimos anos.

Entre os principais impactos relatados pelas participantes estão mudanças relacionadas ao condicionamento físico, fortalecimento muscular, mobilidade e resistência. Segundo as atletas, a prática regular do voleibol passou a representar uma forma de manter hábitos ligados ao envelhecimento ativo e à preservação da saúde.

Os efeitos também são percebidos na saúde mental. Integrantes relatam que os treinos se tornaram momentos de pausa diante das pressões do cotidiano, ajudando no controle da ansiedade e na melhora do humor. Uma das participantes informou que, mesmo ainda em tratamento com medicação para depressão e ansiedade, percebeu melhora no controle dos sintomas após iniciar a prática esportiva frequente. Outra atleta afirmou que encontrou no grupo apoio para enfrentar um processo de luto.


Embora não realizem rodas de conversa formais, as integrantes mantêm diálogos constantes durante os encontros e treinos sobre temas relacionados à saúde feminina, rotina familiar e questões emocionais. O grupo também participa de torneios temáticos voltados à conscientização sobre câncer de mama e combate à violência contra a mulher.

A convivência entre diferentes faixas etárias aparece como outro ponto destacado pelas participantes. O time reúne mulheres entre 40 e 62 anos e frequentemente disputa torneios contra equipes mais jovens. Segundo as atletas, essa troca entre gerações fortalece a integração social e amplia a permanência das mulheres no ambiente esportivo.

Os desafios, no entanto, continuam presentes. As integrantes afirmam que manter o grupo ativo exige organização diante da rotina de trabalho e da vida familiar. Outro ponto citado é a tomada de decisões coletivas, já que o Metamorfose funciona de maneira democrática, com participação de todas as atletas nas discussões sobre campeonatos, treinamentos e administração da equipe.

Mesmo assim, o projeto passou a ser visto pelas participantes como uma referência de iniciativa que pode ser reproduzida em outras cidades brasileiras. A recomendação deixada pelo grupo é que mulheres interessadas em iniciar atividades esportivas procurem espaços públicos, centros esportivos e projetos comunitários disponíveis em suas regiões.


A experiência do Metamorfose Voleibol Master acompanha um movimento observado em diferentes partes do País, no qual modalidades coletivas têm ampliado seu papel social para além da competição. Em um cenário marcado pelo debate sobre saúde mental, envelhecimento e qualidade de vida, grupos organizados em torno do esporte passaram a funcionar também como redes de convivência, acolhimento e permanência social.

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