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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Para os medalhistas de ouro em Atlanta 1996, veículos Ford Escort




Em uma das várias crises enfrentadas pela Ford ao longo de sua centenária história no Brasil, a montadora ficou com mais de duas mil unidades do modelo Escort "encalhadas", entre o pátio da empresa e a rede de distribuidores, como são chamados os seus concessionários. Era justamente o momento que antecedia a introdução de uma nova geração do veículo e as vendas ficaram muito prejudicadas.


Para reverter esse cenário, a Ford promoveu uma verdadeira força-tarefa, reunindo representantes de todos os departamentos, com a finalidade de tentar estabelecer ações para incentivar as vendas do modelo "antigo" e esvaziar os pátios.

Secco lembra que foi procurar dois amigos, profissionais experientes nas vendas de carros - os irmãos Paulo e Durval Viscardi - em busca de alguma ideia eficiente para estimular as vendas e eles me ajudaram eliminando as ações inúteis e aprovando as que poderiam funcionar.

Na área de comunicação, Secco fez algumas recomendações, como um programa de notícias enaltecendo os atributos da linha de automóveis, com informações sobre melhorias introduzidas, novos processos de produção, melhorias da qualidade, prêmios conquistados, entrevistas com diretores e realização de eventos promocionais.

Por coincidir com a realização dos Jogos Olímpicos de Atlanta, no Estados Unidos, em 1996, ele sugeriu ceder aos atletas que conquistassem medalhas de ouro, um veículo Escort para uso por um ano que, ao final do prazo, fossem vendidos com preço especial caso eles gostassem do produto.

A ideia foi rapidamente aprovada e junto com a área de marketing, realizaram as entregas com eventos em diferentes cidades do País, onde os medalhistas estavam baseados, reunindo a imprensa e divulgando cada atleta junto do "seu" veículo, com grande sucesso.

Lembra que essa foi uma das ações que geraram maior repercussão junto aos consumidores e ajudaram na elevação da imagem do veículo. Mais do que isso, proporcionou a valorização da imagem da companhia como uma empresa que acreditava na força do esporte nacional e fez com que os potenciais compradores transferissem parte da admiração que tinham pelos seus atletas favoritos para o Escort.

Em menos de um mês, os estoques nos pátios e nos distribuidores foram e a rede preparada para receber o novo modelo que além de chegar com um grande apelo tecnológico pode compartilhar dessa bem-sucedida ação promocional.

Imaginem o tamanho da repercussão que teriam alcançado se naquela época já existissem redes sociais tão fortes quanto hoje.

Diferentemente de agora, há 25 anos a profissionalização no esporte se resumia apenas a algumas modalidades, como futebol, vôlei e basquete, principalmente. A grande maioria dos demais precisavam "correr" atrás de apoios e patrocínios para conseguir realizar seus sonhos olímpicos.

Não que essa realidade tenha mudado drasticamente e que o atleta brasileiro desfrute das mesmas condições que os norte-americanos, ingleses e chineses, entre outros. Mas hoje já é possível "viver" do esporte e se dedicar integralmente, buscando a excelência e as primeiras posições do mundo.

Essa determinação, persistência, alegria e talento do esportista brasileiro precisam ser sempre e cada vez mais reconhecidos e valorizados e não apenas nas proximidades das mais importantes competições globais.

Por isso, saudamos todos os atletas brasileiros que, com o sem medalha, com ou sem o apoio e com ou sem o reconhecimento ideal e merecido, representaram magnificamente o nosso País em Tóquio.

Parabéns, meninas e meninos! Temos muito orgulho e admiração por vocês.

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